sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Sagrada Família

A história do Natal pode ser lida de diferentes formas.
Várias lições ela nos dá.
Mas hoje, particularmente, queremos ler a história do nascimento de Jesus pensando no seu aspecto mais humano.
Imaginem como foi a viagem obrigatória para Belém, em cima de um burrinho, com Maria grávida.
Pensem depois na chegada em Belém, a cidade lotada e a família sem um lugar para dormir.
Compartilhem com José a sua angústia de pai de família zeloso, sem encontrar um lugar digno para sua mulher e o seu filho.
Tentem ver o olhar de Maria, mulher exemplar, dando apoio ao seu marido e sendo compreensiva diante de toda a dificuldade, enfrentando o parto em um lugar incerto.
Como deve ter sido angustiante para todos.
Mas mesmo assim ficaram unidos, para enfim terem a maior alegria de todas: o nascimento do seu Filho.
Viveram muitas dificuldades, mas souberam preservar a família para terem o seu Menino.
Diante de tantos outros desafios - como a fuga para o Egito e o sumiço de Jesus no templo - graças à união em família puderam superar tudo.
E ainda que tenha ocorrido há mais de dois mil anos, a Família de Nazaré é uma família atual, onde um pai adotivo aceita com todo o amor a sua mulher grávida e o seu Filho. 

Imagem da Família de Jesus em nossa casa

Muitas vezes, em nossas angústias diárias, podemos nos inspirar nesta Família e na história de Jesus.

Que o exemplo da Sagrada Família esteja presente em nosso Natal, inspirando nossas ações no ano novo!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Chocolate sem culpa

Depois que se descobre o diabetes, a ida ao supermercado nunca mais é a mesma.
Aquilo que era feito muitas vezes sem pensar, passa a ser um ato importantíssimo e com disciplina, pois é das boas compras que se consegue montar um prato mais saudável em casa.

No início, logo após o diagnóstico, a gente não põe mais no carrinho de compras os alimentos com açúcar - com a ilusão de que isso será suficiente. Nesta fase, são lidos todos os rótulos de alimentos, mesmo aqueles com letras minúsculas. Descobre-se então que muita bolacha salgada por aí leva açúcar entre os seus ingredientes.

Com o tempo, aprende-se que isso não é suficiente. Não basta simplesmente cortar o açúcar da dieta. O mais importante é aprender a contar carboidratos, para então aplicar a insulina rápida suficiente para cobrir este alimento. Sabendo que todo carboidrato vira glicose no corpo humano, descobre-se então que alguns alimentos ainda se transformam em glicose de modo mais rápido que o próprio açúcar (é o famoso índice glicêmico, que se aprende depois de já estar iniciado na contagem de carboidratos) Mais adiante, sabe-se que certos alimentos reagem de modo diferente. Vai depender de cada pessoa (para Catarina, por exemplo, o pão-de-queijo tem um índice glicêmico altíssimo). Com todas estas informações, a preferência passa a ser pelos alimentos integrais, com mais fibras e menos carboidratos, e também sem açúcar (tudo isso somado a consumo de muita salada acompanhada de proteína, de modo que o prato na mesa seja o mais equilibrado possível, conforme orientação das nutricionistas).

Agora, na ida ao supermercado, a visita ao setor de dietéticos e lights passa a ser obrigatória. E sempre se vai com a esperança de encontrar algum alimento saudável, com pouco carboidrato ou então com bastante fibra e baixo índice glicêmico (nem falo da esperança em encontrar estes alimentos mais baratos, pois até agora são todos mais caros).

E foi em uma dessas incursões pelos dietéticos e lights que, dias desses, tive uma ótima surpresa em um hipermercado de São Paulo. Em viagem de trabalho, à noite, decidi ir ao Extra que fica próximo ao hotel. E como de costume, procurei o setor de dietéticos. Para minha satisfação, encontrei o Chocolate ao Leite Taeq Light



 É um chocolate da marca do Grupo Pão de Açúcar, onde um tablete de 60g tem só 17g de carboidratos (o que já é pouco, comparando com outros chocolates dietéticos) e, o que é mais supreendente, tem 12g de fibra (fruto de um ingrediente chamado inulina). Mas não é só isso: o chocolate também é gostoso!


Por tudo isso, na caixa no produto consta: "prazer sem culpa". Com tão poucos carboidratos, e ainda com tanta fibra, o chocolate pode ser ingerido com tranquilidade, sem correr o risco de um pico da glicemia. Realmente, "prazer sem culpa". Para a Catarina, por exemplo, dependendo da glicemia que der, não será sequer necessário aplicar insulina rápida, ainda que ela coma todo o tablete.

Fica então a dica, principalmente para aqueles que tem em sua cidade alguma filial da rede de supermercados do Grupo Pão de Açúcar, pois, pelo que entendi, só eles vendem este chocolate.

Moral da história: agora toda vez que o Tio Cirilo, que mora em São Paulo, vem visitar a gente em Porto Alegre, é "obrigado" a trazer alguns tabletes deste chocolate de presente.

Abraço, Ricardo

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Doação de sangue

Na sexta-feira, depois de meses dizendo o que eu queria fazer, consegui enfim doar sangue, e também me inscrever como doador de medula óssea. Fiquei bastante contente, com aquele sentimento de dever cumprido, pois sei que podemos ajudar muitas pessoas com este simples ato.

O que eu não esperava era que isso acabasse dando uma pontinha de tristeza em nossa filha.
Não sei como, mas ela sabia que diabético tipo 1 não pode doar sangue.

Talvez por ver a minha alegria em poder fazer a doação - depois de eu falar durante meses que queria doar - ela acabou percendo que não poderia no futuro fazer este gesto.

- Diabético não pode doar sangue - disse a Catarina com um arzinho de frustração.

Como resposta, sempre iluminada, a Simone disse:
- Mas existem muitas outras formas de ajudar as pessoas. Eu mesmo - complementou - já trabalhei de voluntária em um asilo de idosos.

Estas palavras certas da mãe a tranquilizaram, mas ficaram em mim algumas dúvidas:
- Que outras dificuldades ela enfrentará?
- Que outras angustias ela tem, que a gente não sabe?

Sei que nunca terei a resposta exata para estas e tantas outras dúvidas de pai e mãe. Mas sei que, pelo menos, devemos estar disponíveis para ouvir nossos filhos quando for preciso, deixando espaço para eles se manifestarem. Assim, poderemos ter uma chance maior de ajudá-los, estando próximos e atentos.

Boa semana a todos nestes dias que antecedem o Natal!

Enfeite de nossa árvore de Natal - Santuário de Schoenstatt

Abraço, Ricardo

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Estamos na Revista Sabor & Vida Diabéticos

Como um presente de Natal, em sua edição de Dezembro, a Revista Sabor & Vida Diabéticos (n. 67) publicou um depoimento nosso.























Esperamos que esta reportagem ajude outras famílias, e que possa ser um convite para entrarem em contato conosco.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Rematrícula

 
Tempo de matrículas escolares.
No nosso caso, tempo de rematrícula.
A princípio, um mero ato burocrático. O colégio entrega um envelope com o boleto bancário para pagamento, mais uma ficha-contrato para ser assinada e devolvida na secretaria em data pré-determinada.
Mas desta vez, confesso, que mexeu um pouco comigo.
Matricular a minha filha no 4o. ano do ensino fundamental, acabou dando uma ponta de nostalgia, de sentimento de perda.
Nas vezes anteriores a sensação foi outra, de orgulho, até de alegria, por ver minha menina passando para outro nível no colégio, vencendo mais um ano depois de aprender tanto.
Porém agora, foi diferente.
A rematrícula parece que deixou claro, de modo concreto, que a minha filha está crescendo... Mais, parece que antecipei um sentimento do futuro, imaginando o dia em que tomará seu rumo, autônoma e, quem sabe, longe de nós.
Talvez este seja o nosso maior desafio: preparar nossos filhos para serem independentes. E para nós pais de uma criança diabética, há o desafio real de ensiná-la a se cuidar, mesmo não estando sob o nosso olhar.

Mas agora chega de reflexão, pois é hora de prática: fazer mais um teste de glicemia, antes de dormir.

Abraço, Ricardo

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Viagem sem os filhos

Depois de 2 anos, enfim, eu e a Simone conseguimos dar uma fugidinha e passar, sozinhos, o sábado e o domingo na serra gaúcha. O pretexto foi o casamento de uma colega de trabalho em Garibaldi - RS.

Igreja Matriz São Pedro - Garibaldi/RS


A viagem anterior, só do casal, foi em novembro de 2009, para Rivera, no Uruguai. Mas como morávamos em Santa Maria - RS, fomos e voltamos no mesmo dia. O Miguel ainda não tinha nascido e a Catarina ficou com a Eli, sua querida babá. Lembrar disso, dá um misto de saudade com temor. Saudade de um tempo em que vivíamos sem o controle do diabetes. E temor pelo que podia ter acontecido. Naquela época a Catarina já estava com diabetes, mas ainda não sabíamos, não tínhamos o diagnóstico. Por sorte e por proteção divina, nada aconteceu com ela, embora os níveis de glicose já estivessem alto, pois era o tempo em que ela bebia bastante água e emagrecia rapidamente. 

Para esta  recente "aventura" foi fundamental a confiança em nossa filha e o apoio dos avós maternos, que se disponibilizaram em cuidar dos netos no final de semana (também é muito bom ter o telefone celular a mão, principalmente para auxiliar na decisão da dose de insulina por refeição).

O casamento foi realmente muito lindo e especial (vejam algumas fotos no link que segue : Viviane e André/ O casamento). E a visitação às vinicolas da cidade também foi um ótimo passeio.

Túnel histórico da Vinícola Peterlongo - Garibaldi/RS


Barris de Conhaque na Vinícola Peterlongo - Garibaldi/RS

E para provar que tudo andou bem, temos um ótimo parâmetro - as glicemias:


Dia 03 - sábado
ao acordar: 75 mg/dL
meio-dia: 154
lanche da tarde: 161
final da tarde: 183
janta: 97
ao deitar: 221

Dia 04 - domingo:
ao acordar: 196 mg/dL
meio-dia: 134
lanche da tarde: 89
final da tarde: 174
janta: 143
ao deitar: 182


Em média, para um final de semana (quando as glicemias geralmente são mais altas, pois é mais fácil sair da rotina saudável no sábado e no domingo), até que andaram muito bem as glicemias da Catarina.

Assim, provamos para nós mesmos que é possível viajar sem os filhos, principalmente quando confiamos neles e em quem cuida deles.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Familia Hipertensão

Depois de uma crise de enxaqueca, a Simone foi ao médico, mediu a pressão arterial e bingo: 15 por 8.
Repetiu o teste depois de alguns minutos e deu o mesmo resultado: 15 por 8.
Ela recebeu então um batalhão de exames para fazer e, claro, uma ordem clara do médico para diminuir o consumo de sal.
Pois é.
Depois do açúcar, agora outro "mal branco" passa a ser evitado aqui em casa: o sal.
No caso da Simone, o histórico familiar está influindo, pois tanto o pai dela como a mãe também são hipertensos.

Coincidência ou não, a farmácia estava com uma promoçao da accu-chek: quem comprava 100 tiras de teste de glicemia, recebia um monitor de pressão arterial.



Já aproveitei e agora temos mais um aparelhinho aqui em casa.
E também mais um título: Família Hipertensão.
Ou melhor, mais um motivo para nos unirmos.



Abraço, Ricardo

P.S. Hoje a pressão estava 12 por 8.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Programa de domingo: teatro


A gente não sabe tudo. Ninguém sabe tudo.
Esta é a principal lição da ótima peça de teatro  O menino que vendia palavras”, baseada na obra do Ignacio de Loyola Brandão, que no final de semana passado esteve em cartaz em Porto Alegre.


Foi muito divertido assistir a peça com a Catarina, que no ano passado já havia lido o livro, junto com a sua turma do colegio, por iniciativa da querida Profe. Amanda.

A gente não sabe tudo. Ninguém sabe tudo.
E com o diabetes tipo 1, sempre somos surpreendidos com novidades. Por mais que a gente cuide, por mais que se estude e observe, por mais anotações que se faça, sempre tem algo novo, alguma hiperglicemia sem explicação, ou uma hipo inesperada...

Como diz o Dr. Balduíno, convivemos com a “matemática biológica”, que não é exata, por mais que se anotem carboidratos, doses de insulina, glicemias...



Para quem puder, não deixe de assistir a peça e ler o livro "O menino que vendia palavras".
Boa diversão!
Abraço, Ricardo 

domingo, 27 de novembro de 2011

Programa de sábado: consulta com o médico

Às vezes, até parece que o Dr. Balduino, nosso endocrinologista, é generoso demais ou muito simpático. Outra vez ele disse que estamos indo bem. E é muito bom ouvir isso dele (ainda mais em um sábado, à 1 da tarde), apesar de não termos insistido com a bomba de insulina
Depois da consulta, ficou a impressão de que somos muito exigentes conosco. Sempre há um sentimento de que podemos melhorar. Mas temos que ser assim, pois o diabetes exige controle permanente e se a gente relaxa, as hiperglicemias tomam conta.
O médico gostou da hemoglobina glicada (pois foi menor que a anterior), e também aprovou a maioria das glicemias.
Continuamos com 22 doses de lantus por dia, e a apidra permaneceu na mesma dosagem:
- de manhã, para cada 5g de carboidrato, 1 Ul de insulina;
- ao meio-dia e na janta, para cada 10g de carboidrato aplica-se 1 Ul de apidra; e
- no lanche da tarde, 1 Ul de insulina para cada 15g de carboidrato.
O que mudou foi o fator de sensibilidade. Considerando as médias diárias de insulina aplicada nos últimos 10 dias, o Dr. Balduino calculou que, para cada dose de insulina (1Ul), deve haver a redução de 40 mg/dL.
Também esclarecemos outra dúvida sobre as eventuais hiperglicemias da manhã. Elas podem ser provocadas por hipoglicemias noturnas; como reação, o corpo pode produzir mais adrenalina - já que a lantus "segura" a glicose a ser produzida pelo corpo - o que pode provocar a hiper pela manhã (por precaução, é recomendado medir, algumas vezes, a glicemia na madrugada, por volta das 3 da manhã; e também observar o que foi ingerido na noite passsada, para ver se a hiper não é causada pelo consumo maior de gordura ou proteína).
É isso. Vamos em frente.
Somando carboidratos, aplicando insulinas, anotando resultados..., seguindo adiante.
Abraço, Ricardo

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Um bom exame

A1C: 7.4
Em abril a hemoglobina glicada foi 7.8 e em agosto deu 7.9. Agora, 7.4.
Ufa, melhoramos!
Uma boa notícia para a última blue friday do mês.
Mas para poder melhorar ainda mais, amanhã retornamos ao endocrinologista (isso mesmo, amanhã, sábado, às 13h15min, temos consulta com o médico) para ele ver as glicemias e assim verificar as doses de insulina (e desta vez, só vamos nós, os pais - para analisar glicemias a Catarina não precisa ir).
Abraço, Ricardo

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Esperando o resultado de outro exame




Outra vez aguardamos o resultado do exame da hemoglobina glicada.
Vamos ver quão “caramelizados” estiveram os glóbulos vermelhos.
Lembro que há mais de dez anos, escutei de um cliente, muito preocupado com a sua saúde, a seguinte afirmação: “temos que cuidar com a caramelização dos nossos órgãos”.
Não poderia imaginar na época que esta expressão um dia seria útil para eu entender o que acontece com quem não cuida do diabetes: a “caramelização dos órgãos”.
E é isso que ocorre com a hemoglobina, que fica marcada ou glicada pelo açúcar em excesso. Com mais glicose sobre eles, os glóbulos vermelhos ficam menos maleáveis (“mais duros”) e, ao longo de anos, caso permaneçam sempre muito glicados, poderão danificar órgãos. Por isso a importância do exame da hemoglobina, que assim atesta quão “caramelizada” ela esteve nos últimos 3 meses.

Esperando o resultado do exame...
De novo aquela expectativa sobre a “nota” do desempenho no último trimestre. Será que passamos? Será que fomos aprovados? Será que tomamos as medidas certas? Será que cuidamos bem da nossa filha? Espera e dúvidas que sempre estão presentes, mas que ficam mais evidentes nesta hora - esperando o resultado de mais uma hemoglobina glicada.

Abraço, Ricardo

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Diabetes não impede que crianças tenham uma vida normal

Quem convive com o DIABETES TIPO 1, sabe como as pessoas fazem confusão com o DIABETES TIPO 2.
Sempre tem alguém para contar alguma história triste do tipo 2, ignorando que o diabetes tipo 1 é diferente. 
Por isso, a gente fica contente quando encontra textos que fazem a distinção entre os dois tipos.
O Jornal Zero Hora de ontem fez uma boa reportagem a respeito, trazendo para o público em geral um pouco mais de informação.
Segue o link da matéria para divulgação.





"Diabetes não impede que crianças tenham uma vida normal"

Boa leitura!

domingo, 20 de novembro de 2011

Noite Feliz!

Acordamos em alta.
Com 290 mg/dL.
E isso tem ocorrido com alguma frequência nos últimos dias.
Já estamos com nova consulta marcada com o endocrionolista, e durante a semana estamos anotando tudo: glicemia testada, carboidratos ingeridos, insulina aplicada.
Enquanto isso, para nossa felicidade, a arte está presente.
A Catarina hoje participou de seu segundo recital de piano.
Foi lindo e emocionante, ainda mais tocando "Noite Feliz", nos preparando para a chegada do Natal.
Segue o modesto vídeo que conseguimos fazer para compartilhar.


Abraço e boa semana.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Carta de esclarecimento aos professores (3ª Blue Friday)

Na última consulta que tivemos com o endócrino da Catarina, que é o presidente do ICD (Instituto da Criança com Diabetes) aqui de Porto Alegre, e também presidente eleito da SBD, gestão 2012/2013, conversávamos sobre a dificuldade de alguns professores compreenderem a diferença entre os sintomas de HIPER e HIPO, no caso da DM1.

Muito experiente que é na área, inclusive como pai, pois tem um filho com diabetes tipo 1, ele nos lembrou da carta de esclarecimento a pais e professores que está disponível no site do ICD. Já conhecíamos esta carta, mas ainda não havíamos utilizado ela. Nas nossas conversas com a escola, sempre falávamos com a professora e coordenação, levando endereços de sites, algum material impresso como folders e cópias de reportagens, mas nada tão direto e enxuto como esta carta de esclarecimento.

Nos próximos encontros com a escola, que ocorrerão em seguida pois o ano já está terminando, levaremos esta cartinha. Mesmo depois de dois anos de DM1, e de informar a escola, pedir, e pedir que todos sejam informados, uma professora confundiu hipo com hiper. Acontece, mas NÃO PODE OCORRER DE NOVO!!!


 









Para não esquecer a Blue Friday, essa foto é da Catarina recebendo um beijo do irmão antes de ir para a escola.

Abraço, Simone.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Alegria nas pequenas coisas

A alegria está nas pequenas coisas, assim diz o ditado popular.
Muitas vezes lembramos disso no dia-a-dia, mas nem sempre colocamos em prática.
Pois recentemente conseguimos concretizar esta lição.
Quando começamos o tratamento da Catarina, a agulha recomedada para aplicação das insulinas tinha o comprimento de 5mm.
Mas em 2011, foi lançada no Brasil a agulha de 4mm.
Assim, a agulha, que já era pequena, diminuiu 1mm.
E nossa alegria foi grande, pois se antes o desconforto da Catarina já era pequeno, com menos 1mm, dificilmente ela reclama das picadas necessárias para as aplicações de insulina.
Por isso, em pleno dia mundial do diabetes, podemos dizer: a alegria nas pequenas coisas (neste caso, em 1mm).

sábado, 12 de novembro de 2011

Blue Friday


Hoje é o segundo blue friday do mês.
Também hoje faz 2 anos que começamos a nossa jornada com o diabetes (foi em 11 de novembro de 2009 que recebemos o diagnóstico).
Na tevê, o Globo Repórter exibiu uma bela reportagem sobre pessoas que precisaram de transplantes.
Todos nos emocionamos.
A Catarina disse que vendo estas pessoas, ela lembrava que também tinha uma parte do corpo que não funcionava. Podemos dizer então para ela que, no seu caso, pelo menos temos remédios, que tornam a vida dela normal.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

O filho eterno

"Assim, em um átimo de segundo, em meio à maior vertigem de sua existência, a rigor a única que ele não teve tempo (e durante a vida inteira não terá) de domesticar numa representação literária, apreendeu a intensidade da expressão "para sempre" - a ideia de que algumas coisas são de fato irremediáveis, e o sentimento absoluto, mas óbvio, de que o tempo não tem retorno, algo que ele sempre se recusava a aceitar. Tudo pode ser recomeçado, mas agora não; tudo pode ser refeito, mas isso não; tudo pode voltar ao nada e se refazer, mas agora tudo é de uma solidez granítica e intransponível; o último limite, o da inocência, estava ultrapassado; a infância teimosamente retardada terminava aqui"

Este é um pequeno trecho do corajoso e premiado romance autobiográfico de Cristovão Tezza, "O filho eterno", onde ele conta parte da sua experiência como pai de uma criança especial.

Confesso, sinceramente, que me identifiquei com o personagem, ainda mais com este trecho. Ao receber o diagnóstico do diabetes da Catarina também tive esta sensação concreta, sólida, real, tangível, de que algo agora era "para sempre", e que não podia ser remediado.

Por isso, em tempo de Feira do Livro de Porto Alegre, resolvi dar esta dica de leitura, pois se trata de uma bela história de um homem aprendendo a ser pai.




Boa leitura!
Abraço, Ricardo.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

A Borboleta Azul



No espírito do Blue Fridays, tiramos uma foto vestidos de azul e encontramos esta linda história contada pelo Fernando Pessoa:

"A BORBOLETA AZUL

Havia um viúvo que morava com suas filhas curiosas e inteligentes.
As meninas sempre faziam muitas perguntas. Algumas ele sabia responder, outras não.
Como pretendia oferecer a elas a melhor educação, mandou as meninas passarem férias com um sábio que morava no alto de uma colina.
O sábio sempre respondia todas as perguntas sem hesitar.
Impacientes com o sábio, as meninas resolveram inventar uma pergunta que ele não saberia responder.
Então, uma delas apareceu com uma linda borboleta azul que usaria para pregar uma peça no sábio.
“O que você vai fazer?” – perguntou a irmã.
“Vou esconder a borboleta em minhas mãos e
perguntar se ela está viva ou morta.
Se ele disser que ela está morta, vou abrir minhas mãos e deixá-la voar.
Se ele disser que ela está viva, vou apertá-la e
esmagá-la. E assim qualquer resposta que o sábio nos der estará errada!”
As duas meninas foram então ao encontro do sábio, que estava meditando.
Tenho aqui uma borboleta azul. Diga-me sábio, ela está viva ou morta?
Calmamente o sábio sorriu e respondeu:
Depende de você... ela está em suas mãos!!!
Assim é a nossa vida, o nosso presente e o
nosso futuro.
Não devemos culpar ninguém quando algo dá errado. Somos nós os responsáveis por aquilo que conquistamos (ou não conquistamos).
Nossa vida está em nossas mãos, como a borboleta azul...
Cabe a nós escolher o que fazer com ela."

domingo, 30 de outubro de 2011

Crise do diabetes.

Crise do diabetes, para quem não sabe, é (pelo menos para mim) quem não quer fazer o teste de glicemia, não tá afim de ir para lá e para cá com o estojo ou bomba de insulina, e começa a chorar ou se irrita,essa tal de crise do diadetes aconteceu esse final de semana comigo então ai fica a dica: tente não ficar assim!!!!!!

                                                                                                                                 bjs,
                                                                                                                                      Catarina. 

Dedos de Pianista - o filme

E não é que os dedos de pianista de nossa filha acabaram em um lindo trabalho de faculdade de jornalismo.

Segue o vídeo e o link para o trabalho completo: Uma nova canção


quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Primaveras

Estamos na estação que tem uma curiosa estatística: 
é o período do ano onde surgem a maioria dos novos casos de diabetes tipo 1.
Com a gente, não foi diferente.
Era novembro – primavera de 2009 – quando recebemos o diagnóstico da Catarina.
Já se vão 2 anos.
De lá para cá, muito aprendemos. E ainda temos um montão para aprender.

É evidente que, com o passar do tempo, melhorou bastante a nossa convivência com o diabetes. Depois destes dois anos, tratamos o assunto de modo mais leve, sereno, natural. E isso refletiu na nossa filha, que também convive melhor com a sua “companheira”.

Na semana passada, a Catarina nos contou que, durante a aula de ensino religioso, decidiu compartilhar a sua experiência. Ela sempre evitou falar para todos os seus colegas sobre o diabetes. Elegeu algumas amigas mais próximas para se abrir - e até ficou com muita raiva de uma colega que espalhou para os demais o assunto dela.

Mas na semana passada foi diferente. Segundo o relato dela, a professora falava da força da oração e do poder de nos adaptarmos, trazendo o assunto da doença do Reynaldo Gianecchini. A professora contou que muitas pessoas estavam apoiando o ator, e com isso ele pode ver um lado bom da doença. A Catarina então resolveu pedir a palavra e, de acordo com o seu relato, assim disse:
“- É como a minha doença. No início eu achava ruim. Agora vejo que ela tem um lado bom, porque agora tenho uma alimentação mais saudável”.
A professora então pediu para ela mostrar o seu kit insulina-glicosímetro, e assim expor a todos o que ela faz todo recreio no banheiro do colégio.


Mais uma vez, nossa filha nos surpreendeu pela maturidade que ela alcançou, falando para todos os seus colegas de modo tão seguro e natural sobre a “sua doença”.

Parece que a primavera continua a nos revelar o diabetes. 
Quem bom, pois sabemos que muitas outras doces primaveras virão... 


Abraço, Ricardo

sábado, 15 de outubro de 2011

Geleia da Vovó - parte II

Continuando a série “geleia da vovó”, queremos indicar hoje outro doce de fruta diet excelente, com pouquíssimos carboidratos e ainda super saboroso (sim, depois do diabetes e da contagem de carboidratos, quando descobrimos algum alimento gostoso e com pouca quantia de carboidratos por porção, temos a sensação de encontrar um “tesouro”, um baú escondido com algo muito especial).

Falamos da goiabada diet da Delakasa, com surpreendentes 2g de carboidratos por colher de sopa. Isso é muito pouco, se compararmos com outros doces dietéticos da praça:


Provavelmente, em um futuro próximo, teremos mais ofertas de produtos desta qualidade, e com preços mais acessíveis. Por enquanto, vamos nos alegrando com o que temos, com estes achados especiais, dignos de serem comparados com a "chimia da oma" (para nós, descendentes de alemães, geleia é chimia, e vovó é oma - na casa dos meus avós paternos era a "chimia da  muta").


quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Heróis

Heróis.
Sim, nós temos heróis.
E em pleno dia da criança, nada melhor do que lembrar de alguns deles.
Estamos falando dos jovens cientistas que conseguiram desenvolver a primeira injeção de insulina e assim melhorar a vida de milhares de pessoas.


Esta equipe da Universidade de Toronto conseguiu extrair de modo prático a insulina, a ponto de, já no início de 1922, aplicar a primeira injeção em um diabético.

O trabalho deles foi tão revolucionário que em 1923, dois deles, Frederick Banting e John Macleod, ganharam o Nobel de Medicina. Banting e Macleod dividiram suas premiações com Charles Best e James Collip e, posteriormente, venderam a patente da insulina para a Universidade de Toronto pela quantia simbólica de um dólar.

A insulina foi logo produzida pela nascente indústria farmacêutica da época. A Eli Lilly & Co., de Indianápolis – USA, em 1923 disponibilizou grandes quantidades desse composto para a população. Aqui vale também destacar a importância dos empresários e suas empresas, pois graças ao seu empreendedorismo – e por que não dizer, graças ao seu heroísmo – este grande benefício foi estendido para um número incontável de pessoas.

Hoje em dia, para aquele que controla o seu diabetes, a vida é saudável. Mas isso só foi possível por causa destes pioneiros, e também a outros que prosseguiram as pesquisas.

Que estes nossos heróis continuem a nos inspirar no dia a dia, para também nós sermos melhores, na construção de um mundo melhor.

Um herói é quem consagra sua vida a algo grande. Lembremos que a grandeza ou a miséria da vida de um homem não se mede por suas habilidades, nem por seus limites, mas pela magnitude da obra a que se consagra.” (Pe. Nicolás Schwizer)

terça-feira, 11 de outubro de 2011

A História do Lilinho!

Às vezes, temos que dar notícias que não gostaríamos para nossos filhos. Mas se for com amor e carinho, tudo pode ficar melhor.

domingo, 9 de outubro de 2011

Vida mais saudável

 Alguns meses atrás, durante uma reunião com um empresário, acabei descobrindo que a esposa dele é diabética tipo 1 (depois que a diabetes entra na vida da gente, acabamos sempre falando dela; o que aliás tem sido muito útil). Ouvi então deste empresário a seguinte frase:
- A minha esposa sempre diz: diabetes sem controle é doença, diabetes controlada é sinônimo de saúde.
Logo concordei com ele.
Realmente, a diabetes tipo 1 sob controle, com medicação adequada, somada à contagem de carboidratos, deixou não só a nossa filha mais saudável, como todos nós aqui em casa. Desde o diagnóstico, aprendemos a seguir uma alimentação muito mais equilibrada e procuramos fazer mais exercícios físicos! Resultado imediato: nós, pais, emagrecemos e hoje temos o peso ideal; o Miguel, nosso filho de 1 ano, já pede para comer alface e tomate; e a Catarina até foi chamada no colégio dela para dar palestra para turma do 2o. ano sobre alimentação saudável (o que nos encheu de orgulho!).

Pois é, dizem que as crises e as dificuldades são portas abertas para encontrarmos caminhos melhores. É o que tem acontecido conosco. Mesmo com toda a rotina desgastante de controle da glicemia e dos carboidratos, mesmo com o dever de furar várias vezes os dedos da Catarina, mesmo com todas as agulhadas diárias, ainda assim, podemos concluir com outro ditado: “não há males que não venham para o bem”.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Dedos de Pianista

Lembro quando fui furar o dedo da minha filha pela primeira vez. Precisava colher uma gotinha de sangue para a medição da glicemia.

No consultório da endocrinologista tudo pareceu fácil. Mas quando chegamos em casa, a coisa não funcionou assim de modo tão simples. Fiz a primeira tentativa, o primeiro furo, mas não deu certo. Não saía sangue. Não queríamos fazer um furo maior, para evitar a dor, mas ele ficou tão superficial que acabou não saindo sangue. Fui para outra tentativa, agora aumentando o “calibre” do lancetador. O furo ainda foi pequeno, mas apertando um pouco, a gotícula vermelha acabou se formando, suficiente para fazer o teste.

Depois isso, muitas outras tantas vezes, acabei não conseguindo fazer um furo que desse sangue suficiente para o teste. Mesmo depois de quase dois anos de prática, ainda tem dia que falho na primeira tentativa e não consigo logo o sangue necessário para o glicosímetro.

Talvez por isso, para mim, o mais incômodo, no dia a dia, é o bendito furo no dedo, repetido pelo menos 5 vezes ao dia: ao acordar, meio-dia, lanche, janta e ao deitar. Mas ainda assim, bendito furo, pois graças a ele podemos ter um controle saudável sobre o diabetes.

Mas estes mesmos dedos que nós furamos todos os dias, agora também estão fazendo arte. A Catarina está estudando piano e, para nós, pais corujas, já toca lindamente. É emocionante ver seus dedos de pianista.


Abraço, Ricardo

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Pretinho básico


Domingo passado foi um dia lindo, ensolarado, perfeito para irmos ao estádio, assistir nosso time do coração. Como de costume, separamos o kit insulina-glicosímetro, nosso “pretinho básico”


Chegamos ao estádio e logo a Catarina quis comer um salgadinho. Consegui convencê-la a comer pipoca (muito melhor, pois tem mais fibras). Fizemos o teste de glicemia e o resultado deu alto: 254 (ao meio-dia almoçamos em um buffet e a contagem de carboidratos sempre é mais difícil). Fizemos então 5 doses de insulina rápida – 3 para diminuir e 2 pela pipoca. O jogo começa, o clima esquenta, e a Catarina pede para comprar um picolé. Concordei e fiz então mais duas doses de insulina. Resolvemos sair antes – nosso time já estava ganhando – para assim evitar o congestionamento do final do jogo, mas ela então quis comer mais um pastel. Deixei e fiz mais duas doses de apidra.

Ao chegar em casa, nova medição da glicemia e deu 112 – ótimo, acertamos as doses no jogo, e nosso “pretinho básico” mostrou-se mais um vez essencial


domingo, 25 de setembro de 2011

Coração Valente!

Quando a gente passa por uma situação especial, como o diabetes, um dos sentimentos que se enfrenta é o da solidão. Parece que só nós temos este problema e ninguém entende nada do assunto. Por isso é tão importante encontrar outras pessoas, que conheçam a nova companheira, para nos dar apoio e força para seguir. Este blog e outros tem servido para isso, para acabar com o sentimento de solidão e também provar que o diabetes é só mais um companheiro em nossa caminhada.

No último final de semana tivemos ainda a sorte de encontrar uma pessoa que é um verdadeiro exemplo: o ex-jogador Washington, conhecido como Coração Valente.


 
Quando jovem, em início de carreira, recebeu o diagnóstico do diabetes tipo 1, e mesmo assim seguiu sua carreira, sendo um verdadeiro campeão, dentro e fora dos gramados!

Foi emocionante e também muito gratificante poder dizer, pessoalmente, que ele é um exemplo para nós.

Obrigado, Washington!

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Faltou pilha!

Depois de meses de programação, enfim conseguimos tirar alguns dias de folga, viajando para a serra gaúcha. Fomos comemorar o dia do gaúcho – 20 de setembro – em grande estilo (hehehehe).

Para tanto, todo os apetrechos necessários foram separados: glicosímetro, tiras-teste, agulhas, lancetas e lancetador, insulinas rápida e basal, balas (sim, para quem não conhece a rotina do diabético tipo 1, até parece contraditório, mas é preciso levar sempre alguns doces para uma possível hipoglicemia). Somado a isso, fraldas, pomada, leite, mamadeiras, etc, do nosso segundo filho de 1 ano de idade.

Chegamos ao meio-dia de sábado em Gramado e logo fomos almoçar, pois já sabemos que o horário da refeição não pode atrasar, sob o risco de outra hipoglicemia. Como sempre, antes da refeição, fomos fazer o teste de glicemia quando, para nossa surpresa, o sinal do glicosímetro avisou que a bateria estava acabando. Pois é, depois de quase dois anos do diagnóstico, ainda conseguimos esquecer algo: baterias de reserva para o glicosímetro.

Reação imediata: parar na próxima farmácia e, se preciso, comprar outro aparelhinho para medição da glicose, caso não encontrássemos pilhas novas. Só que acabamos nos distraindo com o passeio, e só fomos procurar novas pilhas no outro dia, quando o glicosímetro não quis mais funcionar (só funcionou porque a Simone teve a ideia genial de trocar as duas pilhas de posição) Quando enfim fomos à farmácia, outra surpresa: a moça que nos atendeu na filial da Panvel de Gramado acabou nos dando o aparelho que estava em uso na farmácia. Sem saber muito bem o que dizer, agradeci sinceramente, lembrando que somos clientes da Panvel (esta rede de farmácias tem uma filial em Porto Alegre dedicada ao diabetes, tendo ótimos descontos uma semana de todo mês).

Desse episódio, algumas lições:
  • por mais que sejamos precavidos, sempre somos surpreendidos pelo diabetes
  • é bom estar pronto para surpresas, agradáveis ou não
  • existem boas pessoas que podem nos ajudar quando precisamos
  • ao viajar, veja se não vai faltar pilha!
Abraço, Ricardo

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Saindo do foco - é bom aprender com o diferente

Quando criança, eu simplesmente achava que era um bebê adorável, naturalmente charmoso e a criatura mais amável da face da Terra. A minha bem-aventurada ignorância infantil era uma benção. Não sabia que era diferente ou que teria pela frente um batalhão de dificuldades. Sabem de uma coisa? Acho que a vida só nos dá o que temos condições de suportar. Juro que, para cada deficiência ou defeito que você tem, a vida o abençoou com muitas habilidades e talentos para superar seus obstáculos.

Deus me equipou com uma incrível determinação, bem como outros dons e talentos. Logo dei mostras de que, mesmo sem braços e sem pernas, era atlético e tinha boa coordenação motora. Mesmo que meu corpo fosse apenas um tronco, era também um menino traquinas e intrépido, que adorava rolar e não parava. Aprendi a me colocar em posição vertical ao apoiar minha testa contra a parede e me aprumar. Meus pais passaram horas comigo tentando me ajudar a dominar um método mais confortável, mas sempre insisti em encontrar meu próprio jeito.

Minha mãe tentava me ajudar espalhando almofadas pelo chão para que eu pudesse usá-las como ponto de apoio para me levantar. Por alguma razão, decidi que era melhor encostar minha testa na parede e me erguer(...).

Não sei exatamente qual é o fardo que você carrega, tampouco vou fingir que já enfrentei crise semelhante à sua, mas dê uma olhada no que meus pais passaram quando nasci. Imagine como se sentiram. Pense como o futuro parecia sombrio.
Talvez nesse exato momento você não consiga ver a luz no fim do próprio túnel, mas saiba que meus pais também não conseguiam prever a vida maravilhosa que um dia eu teria. Não faziam ideia de como o filhinho deles não apenas seria autossuficiente e se dedicaria com afinco a uma carreira, mas também seria feliz, com uma vida cheia de alegrias e propósitos!
A maior parte dos temores dos meus pais jamais se materializou. Certamente me criar não foi tarefa das mais fáceis, mas acho que, apesar dos pesares, tivemos uma boa dose de alegria e felicidade.”


Esse pequeno trecho de uma grande história está no livro
Uma vida sem limites, de Nick Vujicic, Ed. Novo Conceito, 2011.

Eu geralmente escolho livros por afinidade com autores e temáticas, indicação de amigos, comentários em jornais e revistas, alguns clássicos, leitura obrigatória de trabalho.
Mas este livro eu não escolhi.
Ele me escolheu quando, de frente para a sua capa, me deparei com a foto de Nick.
Sim, a foto já conta uma grande história de luta, sofrimento, de batalhas emocionais, de vitórias, e como ele mesmo relata, de felicidade e alegrias.

Como aqui em casa somos devoradores de livros (não de doces,hehehe), partilhamos a noite de algumas leituras e comentários.
A Catarina ao saber da história do Nick, na mesma hora disparou:
“O diabetes não é nada perto dessa história”.
Quem sou eu pra discordar?
Pra mim o diabetes fica pequeno.
Se a história do Nick ajudou? Eu não sei.
Eu só sei que somos humanos, sempre vamos comparar.
Estabelecer parâmetros.
Mas antes de tudo, é preciso se sensibilizar.
Eu me deixei tocar por esta história incrível de uma vida sem limites.
Fica a indicação. Abraço, Simone.